Lembro de minha mãe falar sobre o que ela pensava sobre as explicações para a visão de céu estrelado que tínhamos da terra. E o que ela disse era tão doce, meigo e inocente que qualquer poeta criaria um poema. Um cientista ficaria de cabelo em pé. Uma criança concordaria.
E inocentemente, com ar nostálgico, dizia:
'Quando criança, pensava que a noite era escura por causa de uma grande lona que cobria o céu, igual a um circo.
As estrelas, pra mim, eram buracos nessa lona...'
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Trilha sonora: estou tirando as teias de aranha do blog e ouvindo "while my guitar gently weeps", música linda do álbum branco dos Beatles.
4- Ele te trata como se você fosse mais um cara da turma e comenta com você das bundas que vê na praia, assim que de repente você vira expert de bundas de mulher
5- Você diz que ele tem que enviar flores pra ela, pedir desculpas...mas claro que isso nunca aconteceu com você(quisera eu ter um namorado com uma amiga assim)
6- Você dorme dias e dias com ele na mesma cama e não rola nada, então você pensa:
Eu não sou mais atraente...
Porque eu sou a única mulher que ele respeita?
Isso é pior que relação de casados há 30 anos: ele chega e dorme...
7- Quer saber? Vou pro ataque e vou transar com ele! Estou decidida!
Odeio terminar relacionamento com conversas pseudo-sinceras. Ih, esse negócio de olhar no olho pra dizer o de sempre, comigo não dá. Tem situações que eu até prefiro que o cara desapareça – às vezes, eu é que faço a mágica do sumiço.
Complete a frase: “Você é muito legal, mas...”. Quando o início da conversa é assim, já se pode prever o final. Detalhe: a gente sempre prevê o fim bem antes da conversa fatal. Dia desses, quando ele (não chamo de namorado porque acho que estamos apenas saindo juntos) ligou e disse que queria conversar um negócio comigo, fiquei remoendo aquela ideia a tarde toda na cabeça. Eu sabia que iria levar um fora, então, pensei em mandar um SMS antecipando e, ao mesmo tempo, me poupando de ouvir que sou muito legal, mas... Ah, que eu sou legal já sei. Se não fosse, meus amigos não me aturavam por tanto tempo. Ainda cheguei a escrever o torpedo dizendo: “Se for me dar um fora, desapareça em silêncio e me poupe dessa conversa fiada”. Fui civilizada. Bem, se ele queria conversar, resolvi deixá-lo falar.
Verdade que curtimos estar juntos, mas ainda não decidimos se é relacionamento ou não. Por isso eu não achava que merecesse levar um fora. Se não era namoro, por que me permitir um pé-na-bunda? Terminar o que nem começou? Ah, tem dó!
E na minha cabeça, eu já previa como ia ser o discurso. Você é muito legal, mas... Depois do “mas” e das reticências, a frase tem variações do mesmo tema sem sair do tom. Às vezes é assim: “não estou preparado para um relacionamento agora”. Quando o cara diz isso, é porque já a fim de galinhar muito antes de namorar alguém. Não dá uma semana e ele desfila na sua frente com uma mais bonitinha que você. Na semana seguinte, já é outra.
Tem caras que preferem usar outro complemento. Mas... “estou a fim de dar um tempo sozinho”. Se ele diz isso, lascou. O real significado desta frase é “não estou a fim de você”. Quer dizer que ele está a fim de namorar alguém, mas não exatamente você. Ele vai experimentar a próxima da fila porque já está de olho em alguém.
Pior mesmo é quando, depois de “mas...” o cara usa frases do tipo “você é mulher demais pra mim”... ou ainda, “você merece alguém melhor do que eu”. Se ele diz isso, ele está certíssimo. Falsa (e mesmo a verdadeira) baixa-estima? Melhor manter distância. Sinal de que você merece, mesmo, sujeito melhor do que aquele!
Trilha sonora: A música no WMP neste instante é “The End Of The Affair”, by Club 8. Escolhida só para combinar com o post.
Fim de ano é a mesma coisa. Correria no comércio para comprar os presentes (ih, este ano está para as lembrancinhas, como dizem os jornais sempre que publicam matérias sobre dicas de presentes e tabelas de preços!). A gente diz que não vai deixar as compras para a última hora mas, olha nós aí de novo enfrentando aquela fila no caixa e revendo a lista só para constatar que, depois de tantas horas de shopping, faltou alguém que não podia ficar de fora!
E os filmes na TV? Ah, os filmes. Acho que, por causa deles, a gente começa a pensar demais. Sim, a culpa é da televisão. A gente vê os personagens passando a vida a limpo e resolve fazer o mesmo. Eis a parte mais difícil do fim do ano: o desapego. Analisar o que passou não é fácil, principalmente quando se sente aquele desejo de voltar e ficar ali, naquele dia, naquele momento feliz que já se foi.
Nesse clima de acabar o ano e começar algo novo, vou fazendo aquela faxina para jogar fora o que não serve mais. As roupas, os livros, jornais velhos, revistas, sandálias. Ah, se fosse só isso! Mas vem a outra parte: jogar fora sentimentos, lembranças, pessoas.
Em 2008 fui feliz, infeliz, otimista, solitária e quase me apaixonei de novo. Olha só que coisa boa! Fui magoada algumas vezes. Por outras, magoei sem nem perceber que estava magoando (é o mal de quem machuca!). Fiz novos trabalhos, novos amigos, novas conquistas. Fiquei devendo um pouco mais de atenção a alguns dos amigos antigos. Outros estiveram perto de mim sempre que chorei ou sorri.
Das metas que tracei na virada de 2008, cumpri algumas. Viajei (pouco, mas fiz). Terminei um namoro que já não ia bem. Não mudei de emprego, como tinha planejado, mas consegui novos freelas. Paixão? Na falta de uma nova, revivi um amor antigo. Foi a melhor e pior parte do ano para mim. Aproveitei o que pude daquele momento, mas passou.
O cigarro? Ah, esse eu larguei! Nos primeiros dias, eu estava tão radiante que nenhum comentário pessimista conseguiria reverter minha decisão. E deu certo. Nos primeiros dias, foi a compulsão por chicletes, o medo de comer um grãozinho a mais e engordar por conta da falta da nicotina. Mas isso tudo foi passando. Ainda estou viciada no chicletinho de menta (sem açúcar para não estragar os dentes!), mas consegui sobreviver à ausência do cigarro.
Fim de ano é a mesma coisa, sempre: a gente diz que vai fazer e acontecer nos próximos 365 dias e... nada! O que há de bom nisso tudo é aquela ponta de esperança que essa época traz junto com um pouco de melancolia.
*** Trilha Sonora: The Postal Service, com Such Great Heights
Eu vi você voltar pra mim. Eu vi você ir embora de novo. Foi estranho. Em outro tempo, eu teria tentado impedir, mas desta vez, não. Abri a porta e nem tentei te segurar. Você não disse nada. Eu também não perguntei. Talvez não quisesse ouvir resposta alguma. Talvez, quisesse manter a imagem daquele momento.
Depois de tanto tempo desacreditada no amor, cheguei a pensar que ele fosse possível. Talvez tenha sido mesmo. Pode ser que eu não tenha entendido direito. Talvez o meu amor tenha sido verdadeiro – o seu não. Vice-versa, maybe... may be... may be not... Se foi amor, foi pouco.
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Trilha sonora: Post ao som de "Everybody Hurts", R.E.M.
Lembrou-se de ter lido, em algum lugar, que os índios não se deixavam fotografar por acreditarem que seus espíritos ficariam presos nas fotografias. Olhando para aquela foto, entendeu o que queriam dizer. Até começava a admitir que talvez tivessem razão.
Sempre que dava de cara com aquela imagem, sabia que sua alma tinha ficado em algum lugar ou em algum tempo. Talvez, aquela foto guardasse um fragmento dela.
Talvez, a peça inteira. Seu coração, talvez estivesse preso ali. Via que seu olhar não era o mesmo, nem o sorriso. E aquele outro rosto, colado ao seu, por onde andaria? Teria um deixado um pouco de alma naquele retrato?
Há tempo não vinha por aqui, mas resolvi dar uma passada. Semana passada, li uma pesquisa americana dizendo que blogar está ficando fora de moda. Deve ser verdade. Antes eu costumava postar até mais de três textos em um mesmo dia. Tanto que houve um dia em que me desesperei por ter chegado ao limite de espaço (afinal, minha conta aqui é gratuita...) Agora limito-me a dois ou três por ano.
Depois de tomar conhecimento de que blogar não é mais tão fashion como antes, fiquei com vontade de escrever de novo. Para dizer o que penso e sinto sem ter quem corte meus textos. Porque aqui não preciso publicar coisas que não acredito. No meu espaço da blogosfera, não tenho que editar aquilo que não gosto. Porque aqui, eu mando e desmando. Para me dar o direito de ficar fora de moda e, simplesmente, dizer.
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Trilha sonora: Cheirando a mofo: The Waterboys - "A Man Is In Love"
A menina adorava imitar a mãe em tudo. Era seu espelho. Aos três anos de idade, via aquela mulher que, para ela, era a mais linda do mundo, pentear-se, maquiar-se. Depois, esperava um descuido, um piscar de olhos, para fazer tudo igual – à medida que permitiam seus três aninhos.
Depois de uma sessão de embelezamento da mãe, correu para o quarto. Subiu na cama para conseguir acesso à cômoda. Lá estava tudo do que precisava. Dali, alcançava o espelho, os acessórios, a maquiagem e um objeto com o qual não tinha muita intimidade, mas arriscaria. Afinal, se deu certo com a mamãe, por que não?
Decidiu que ficaria bem com a franja mais curta. Com uma mão, agarrou uma boa mexa de cabelos e, num golpe só, passou-lhe a tesoura. Saindo do banho, a mãe viu logo a desgraceira. Um monte de cabelo na mão, a tesoura na outra e outra parte da cabeleira no chão. “Fiquei bonita, mamãe?”.
A mãe achava engraçado, mas também estava desolada. “Minha filha, o que você fez?”. “Ficou igual ao seu”, respondia a garotinha. O pai, ao vê-la, engoliu um palavrão. A mãe decidiu que seria sua primeira ida ao cabeleireiro. Definitivamente, ela precisaria de ajuda profissional. Lá foram as duas.
Horas depois, voltam com a novidade. O único jeito que o cabeleireiro encontrou de amenizar o desastre foi deixando-a de cabelos curtos. Ao vê-la, o irmãozinho de cinco anos largou tudo o que estava fazendo. O brinquedo não lhe interessava mais. Os olhinhos brilharam. “Que maravilha! Ela virou um menino! Agora eu tenho um irmãozinho pra brincar muito mais!”.
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Trilha sonora: Estou ouvindo Patty Ascher, com "I Say A Little Prayer".