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Longas cartas pra ninguém


uma poesia que peguei emprestada

 

não te quero

só pra mim

e nem poderia

quero-te

pra ti mesmo

e para tua

própria vida

quanto mais

fores o que

quiseres

mais serás

o que eu queria...

 

 

Luis Poeta

 

***

Trilha sonora: "Bitter Sweet Symphony", by Richard Ashcroft



Categoria: Poesias alheias
Escrito por Ana Felippe às 00h23
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Corte de cabelo

(crônica da vida real)

 

A menina adorava imitar a mãe em tudo. Era seu espelho. Aos três anos de idade, via aquela mulher que, para ela, era a mais linda do mundo, pentear-se, maquiar-se. Depois, esperava um descuido, um piscar de olhos, para fazer tudo igual – à medida que permitiam seus três aninhos.

Depois de uma sessão de embelezamento da mãe, correu para o quarto. Subiu na cama para conseguir acesso à cômoda. Lá estava tudo do que precisava. Dali, alcançava o espelho, os acessórios, a maquiagem e um objeto com o qual não tinha muita intimidade, mas arriscaria. Afinal, se deu certo com a mamãe, por que não?

Decidiu que ficaria bem com a franja mais curta. Com uma mão, agarrou uma boa mexa de cabelos e, num golpe só, passou-lhe a tesoura. Saindo do banho, a mãe viu logo a desgraceira. Um monte de cabelo na mão, a tesoura na outra e outra parte da cabeleira no chão. “Fiquei bonita, mamãe?”.

A mãe achava engraçado, mas também estava desolada. “Minha filha, o que você fez?”. “Ficou igual ao seu”, respondia a garotinha. O pai, ao vê-la, engoliu um palavrão. A mãe decidiu que seria sua primeira ida ao cabeleireiro. Definitivamente, ela precisaria de ajuda profissional. Lá foram as duas.

Horas depois, voltam com a novidade. O único jeito que o cabeleireiro encontrou de amenizar o desastre foi deixando-a de cabelos curtos. Ao vê-la, o irmãozinho de cinco anos largou tudo o que estava fazendo. O brinquedo não lhe interessava mais. Os olhinhos brilharam. “Que maravilha! Ela virou um menino! Agora eu tenho um irmãozinho pra brincar muito mais!”.

 

***

Trilha sonora: Estou ouvindo Patty Ascher, com "I Say A Little Prayer".

 

 



Escrito por Ana Felippe às 00h24
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Um poema à toa

Agridoce

 

Áspera, cortante,

Porém doce, melódica,

Harmoniosa

Assim se permitia conhecer.

Assim se mostrava.

Era assim que ele a amava.

 

***

Trilha sonora: Ouvindo "Andrea Doria", de Legião Urbana.

 



Escrito por Ana Felippe às 01h51
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Relacionamentos (Arnaldo Jabor)

 

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.

Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

- 'Ah, terminei o namoro... '

- 'Nossa, quanto tempo?'

- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'

- É não deu...?

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.

Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?

E não temos esta coisa completa.

Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.

Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.

Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.

Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.

Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro.

Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...

Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Senão bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.

O outro tem o direito de não te querer.

Não lute, não ligue, não dê pití.

Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.

O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.

Nada de drama.

Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?

O legal é alguém que está com você por você.

E vice versa.

Não fique com alguém por dó também.

Ou por medo da solidão.

Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.

E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro.

Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.

Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.

E nem sempre as coisas saem como você quer...

A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.

Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias.

E nem todo sexo bom é para namorar.

Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.

Nem todo beijo é para romancear.

Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?

 

***

Trilha Sonora: "Fallen", by Lauren Wood

 



Categoria: Poesias alheias
Escrito por Ana Felippe às 16h43
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Mais um poema

Poema a 4 mãos

 

Uni o verso

verso inverso

incerto

sem rima

conserto

verso ao avesso

in natura, sem figura.

Em eclipse

em olhos crus

despidos

de qualquer pudor

flor

em essência

rastro de indecência

caminho...

 

João Pessoa, feirinha de Tambaú

27/11/2003

 

***

Trilha sonora: Agora estou ouvindo "Senhas", por Adriana Calcanhotto

 

 



Escrito por Ana Felippe às 00h29
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Um poema

De você

 

Ficou um risco de sorriso

Aquele resto de perfume no frasco

Alguns discos por devolver

 

Ficou um olhar que eu não sintonizei

Aquela dança desajeitada

Algumas palavras que ensaiei

E, de tanto esperar a hora certa de dizer,

Acabei por calar.

 

***

Trilha sonora: Estou meio breguinha hoje. Talvez seja o feriado, sei lá. Estou ouvindo "You Are So Beautiful" na voz de Joe Cocker.



Escrito por Ana Felippe às 00h41
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Crônica para uma amiga

A inveja é algo engraçado

 

Esse clima de fim de ano me deixa um pouco triste. Nos últimos dois anos, acho que nem gosto mais de Natal ou Reveillon. A pessoa que me fazia gostar disso tudo já não está comigo. Ficou o vazio no lugar do abraço da minha mãe. Mas também ficaram os amigos para me lembrar que viver vale a pena.

Sexta-feira passada eu estava especialmente triste – era aniversário da minha mãe. Muito trabalho e eu fui pensando menos no quanto estava sofrendo. Do nada, uma amiga teve uma atitude que, nem ela mesma sabe o quanto foi importante para mim. Olhou para minha cara e, sem mais nem menos, chamou para viajar. Nem pensei duas vezes.

Estar a quilômetros de casa era como poder ter o controle remoto nas mãos e deixar os pensamentos tristes em stand by. E, sem querer, senti um pouco de inveja. Ela visitaria sua mãe no fim de semana. E eu fui convidada.

Mãe e filha discutem por bobagens – e se amam. Demonstram amor até quando discutem. E eu senti inveja. Não discuto mais com minha mãe por besteira. Ela não está mais por perto para ir a casamentos tediosos comigo, abrir a porta de madrugada para mim, mesmo reclamando porque cheguei tarde.

Devia me envergonhar por ter sentido inveja da minha amiga. Mas também senti algo estranho, tipo orgulho pelos outros. Pela mãe, por ter uma filha maravilhosa. Pela filha, por saber que a mãe a ama e que é a sua mãe – melhor ainda: é uma pessoa fantástica!

Eu e minhas esquisitices. A maioria das pessoas que conheço está em clima de festa e para mim, tanto faz. Trocaria qualquer presente por um momento como aquele que eu costumava ter e que testemunhei no fim de semana passado graças a um convite inesperado para viajar.

 

***

Trilha sonora: Estou ouvindo Van Morrison, "Have I Told You Lately That I Love You"

 



Escrito por Ana Felippe às 01h33
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Um poema dolorido...

22 de outubro

 

Outubro se resume numa dor

Outubro fortalece minha saudade

Outubro me faz sentir mais só do que penso que mereço

Um mês cruel, que demora a passar

Outubro traz a lembrança

Outubro traz a tristeza

Outubro sufoca de flashbacks e lágrimas

 

Outubro é teus olhos

Que nunca mais verei.

Outubro é teu sorriso raro

Que não mereço mais.

Outubro é teu abraço

Que não posso mais sentir.

Outubro é saber que

não vou mais andar de mãos dadas contigo.

 

Outubro se resume nessa dor

Outubro é não ter mais você por perto

Para me socorrer.

Outubro é esperar a noite

Para poder chorar.

 

Outubro é olhar suas fotos,

Revirar suas coisas e não me conter.

Outubro é sentir-me uma órfã adulta.

 

***

 

***

Trilha sonora: Ouvindo Enya e o CD "Shepherd Moons"



Escrito por Ana Felippe às 00h41
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Crônica: Vigaristas à procura de sexo (Parte II)

As mulheres também têm suas táticas de cantada e dispensadas infalíveis. Às vezes dá certo. A dica é não deixar muito claro que a estratégia se repete. Primeiro, um esbarrão para, em seguida, a investida.

-          Oi.

-          Oi.

-          Você vem sempre aqui?

-          Às vezes. (Ele respondeu. É um bom sinal)

-          Está gostando da banda?

-          É legal. (Se a resposta for seca, quer dizer que ele não demonstra tanto interesse. Se ele se aproximar, tentando ouvir melhor, quer dizer que a investida tem chance de dar certo).

 

Depois da carona, um convite para subir e continuar a conversa.

-          Aceita um café...   Um chá???   Eu??? (apelação). Se o cara não estiver a fim por achar que foi fácil demais, melhor fingir que está com muito sono e deixá-lo ir para não prolongar o mico).

 

 

 



Escrito por Ana Felippe às 15h49
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Crônica: Vigaristas à procura de sexo

Ele conhece a mulher em um bar e o fato de encontrá-la sozinha já é o suficiente para decidir com quem transar naquela noite. Fácil? Nem tanto, se ela souber sair-se bem da situação, conseguindo safar-se de uma cantada desentoada.

-  Você está sozinha?

-  Não.

Respostas breves, monossilábicas. Mau sinal. Quer dizer que ela não foi com a cara dele no primeiro momento.

-  Então, está com quem (quando ele diz “então” antes de formular a frase, significa que não sabe bem o que dizer; está ainda inventando algo convincente ou formulando a próxima pergunta para conseguir ganhar tempo – e o objeto de desejo da noite).

-  Com uns amigos.

-  E onde estão? (ele é insistente)

-  Foram comprar cigarros.

-  Posso te pagar uma bebida?

-  Depende.

-  De que?

-  Que bebida você quer me pagar?

-  O que você está tomando.

-  A que você vai me pagar.

Ou está sendo irônica ou quer só beber às suas custas.

-  Uma cerveja. (é mais barato, ele não vai arriscar outra coisa sabendo que a mulher está “embaçando”).

-  Não gosto de cerveja, mas obrigada.

Se essa for a resposta, significa que ela não está a fim. A solução é fingir que encontrou um amigo, pedir licença e sair. Mas a resposta pode ser outra.

-  Tudo bem. Pode pedir uma cerveja para nós.

Bom sinal: quer dizer que tem chance de passar a noite com ela. 

Ela bebe a cerveja com ele (e mais rápido que ele imaginava)

-  Meus amigos chegaram. Preciso ir.

É, ela não está a fim. Esse tipo de atitude tem duas alternativas: a) ela não está realmente a fim; b) sua conversa a decepcionou e ela quer partir para algo melhor.

Para não passar a noite no “zeroazero”, o que ele tem que fazer é partir para outra.

 

Já que a tática de pagar a bebida não funcionou, vale tentar outras alternativas. Uma delas é o velho truque do reconhecimento. Para chegar a esse estágio, existem algumas saídas: um esbarrão, sentar-se perto e olhar como se a reconhecesse de algum lugar.

-  Licença, acho que te conheço de algum lugar. Está lembrada de mim?

-  Não.

-   Ah, eu sou amigo de ...

-  Não conheço ninguém com esse nome.

-   Ah, então deve ter sido de outro lugar.

Pela idade, ele presume se ela é universitária, secundarista ou formada...

-   Acho que é da faculdade.

-  Tranquei o curso há dois anos por causa do trabalho.

-  Trabalha aonde?

-  Shopping.

-  Então, é isso. Deve ter sido de lá.

-  Da loja de lingerie?

Por essa ele não esperava. Melhor mudar de assunto:

-  Meu nome é Carlos, e o seu?

Insistente. Para despistá-lo, melhor dar um bocejo, fingir que está morrendo de sono, desculpar-se e sair de perto se não quiser ser rude. Se não funcionar, melhor partir para um fora escrachado.

-  Fernanda.

Se ela responder o nome, bom sinal. Quer dizer que há possibilidade de ficarem juntos naquela noite.

-  “Quer vir para minha mesa”.

Se ela aceitar, pode significar que a) está caindo na dele; b) está interessada em alguém de sua mesa.

 ***

Trilha sonora: Alanis Morissette, "Ironic"



Escrito por Ana Felippe às 15h46
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Bobagens da internet

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente, 

é um contentamento descontente,

dor que desatina sem doer ".

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:
"Ah! Camões, se vivesses hoje em dia, tomavas uns antipiréticos, uns quantos analgésicos e Prozac para a depressão. Compravas um computador, consultavas a internet e descobririas que essas dores que sentias, esses calores que te abrasavam, essas mudanças de humor repentinas, esses desatinos sem nexo, não eram feridas de amor, mas somente falta de sexo!"

Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...

***

Trilha sonora: Pra combinar com o post, "Monte Castelo", de Legião Urbana




Categoria: Poesias alheias
Escrito por Ana Felippe às 14h06
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Uma crônica para não se decepcionar...

Aprendi

 

Aprendi que as pessoas não nos decepcionam. Nunca. Verdade! Nós é que esperamos muito delas. Nós é que nos decepcionamos com elas. Há algum tempo, comecei a reparar que esta é uma verdade. Nos decepcionamos quando criamos muita expectativa sobre algo ou alguém.

Se a melhor amiga esquece de comprar uma lembrancinha qualquer no dia do seu aniversário. Se a irmã lhe dá uma roupa que não é o seu número ou a cor não lhe agrada. Se o chefe não lhe promoveu como você esperava. Se o prêmio da Mega-Sena não saiu. Se ele promete ligar e não liga. Por que ficar o dia inteiro grudada no telefone? Há mais coisas para fazer na vida do que esperar pelos outros e alimentar expectativas que podem dar em nada. Lembro de ter conversado isso outro dia com um amigo.

Não é uma questão de aceitar tudo sem contestar, sem questionar, mas de não depositar todas as fichas de esperança numa pessoa ou numa determinada situação. Só quem experimentou a decepção sabe como é frustrante ver que deu errado, que aquilo que se imaginava não saiu como se esperava. O que fazer? Encarar o fim como um começo e ver que as coisas não são tão ruins quanto possam parecer.

Certa vez, uma amiga me perguntou o que eu espero no dia seguinte depois de ter ficado com alguém. Respondi que, simplesmente, não espero. Criar expectativas ansiosas é alimentar a probabilidade de uma decepção. Antes eu costumava criá-las. E inventava amores. E quando me apaixonava, ficava querendo que durasse para sempre. E para sempre, às vezes, não durava mais que alguns meses, semanas, dias, horas ou simplesmente, um beijo, um olhar.

Nessas investidas, fui descobrindo que viver o presente é bem mais importante que perder tempo me preocupando com o que vem amanhã. O dia seguinte é incerto, pode nem acontecer. Também não vale ficar usando o passado como referência para evitar novas experiências que, um dia, podem dar certo.

***

Trilha Sonora: "Missing", by Everything But The Girl



Escrito por Ana Felippe às 19h00
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Um outro poema...

Freios

 

Limite.

mas também

fronteira esta

atração

de fato

de sonho

e de possibilidades.

 

Carícia.

Mas também saudade

sua presença

de bolero e de fatalidade.

 

Sol do cairo

Lua de verão

vento do desejo

é você arma da minha cidade.

Carnaval do meu desejo

que você de manhã e de tarde.

A noite saberá dizer dos meus gritos.

***

Trilha sonora: "Back In Time", by Au Revoir Simone



Escrito por Ana Felippe às 00h16
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Poema de Drummond

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
***

Trilha sonora: "Books Written For Girls" (Acoustic Version Live), by Camera Obscura



Categoria: Poesias alheias
Escrito por Ana Felippe às 00h07
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Pois é, até eu já tô aprendendo a usar esse tal de rss, feed, seja lá como queira chamar! É só clicar e se inscrever que ele avisa quando eu atualizar.


Escrito por Ana Felippe às 20h02
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